Colunistas
Terça, 22 de Julho de 2014 05h
LEONARDO SARMENTO: Advogado. Professor constitucionalista, consultor jurídico, palestrante, parecerista, colunista do jornal Brasil 247 e de diversas revistas e portais jurídicos. Pós graduado em Direito Público, Direito Processual Civil, Direito Empresarial e com MBA em Direito e Processo do Trabalho pela FGV.



Política e Futebol, uma mistura que enfim pode dar certo!

O povo brasileiro precisa encontrar uma outra alegria, o futebol não pode mais representar o status de "alegria do povo". Hora de preparar o "outdoor" com o dizeres: "Precisamos de alegria!!" e com urgência...

A política que por sua história sempre utilizou do futebol, precipuamente de suas vitórias, para desviar os focos da vida real precisará encontrar outro subterfúgio que não represente nossa realidade como o futebol passou a representar não é de hoje.

Mas é hora de se verificar os pontos em comum, que se tocam. Política e futebol sempre sofrem com a total falta de planejamento, como na política não se investe adequadamente em saúde, educação, na base de nossas necessidades para o crescimento, no futebol não se investe nas categorias de base, nem tecnicamente, nem taticamente, nem intelectualmente.

A política e o futebol sofrem caoticamente do mal da corrupção, dos desvios de finalidade, da ausência de credibilidade administrativa, e quando este mal se faz notar com tanta pujança e notoriedade como presenciamos é porque já tornou-se regra no sistema quando os maus resultados são consequências que se tardam jamais falham. A honestidade, retidão e austeridade são qualificativas indissociáveis da boa administração, onde há desvios que se afugentam do princípio da moralidade administrativa o sucesso se torna mais que improvável e tende à completa impossibilidade/inviabilidade com o passar do tempo.

A política e o futebol (futebol de hoje) convivem com a quase inexistência de novos talentos, por certo outra consequência dos parágrafos anteriores (falta de planejamento e desvios de finalidade), e quando não se produzem talentos fruto de uma má organização o insucesso se faz indissociável. Não contamos com administradores talentosos e bem preparados tanto na política como no futebol, e quando não há uma gestão qualificada os resultados dos objeto gerido tendem a acompanhar a mesma sorte.

A derrota mais que esperada ganhou toques surpreendentes pela forma que se deu. Um placar inadmissível para um embate entre duas equipes profissionais, sem que uma delas se revista de amadorismo. Nem as seleções sem qualquer tradição como Honduras, Austrália (...) antagonizaram espetáculo tão amadoramente pobre e desalmado, desorganizado, ao contrário, mesmo que sem grandes talentos dos artistas do espetáculo países como Costa Rica mostraram que organização é capaz de produzir resultados positivamente surpreendentes.

O Povo, que em sua maioria é dotado de um discernimento menor, meticulosamente preparado para que não alcance as percepções de nossas realidades, talvez, a partir de uma catástrofe de um tema que à todos é afeto de berço, como é o futebol, promova um choque de realidade e um descontentamento por vias transversas.

Talvez agora o Brasil, espelhando suas realidades em uma linguagem mais popular, agora não tão camufladas pela política, possa contagiar a sociedade brasileira para uma visão mais "macro", menos minimalistas, quando nos contentávamos apenas com vitórias desportivas para matar nossa fome de educação, de saúde, de segurança, de emprego, de alimento, de serviços públicos em geral, enfim, nossa fome de dignidade, que a Carta Constitucional de 88 previu como o maior dos direitos fundamentais do homem, mas que os agentes políticos entenderam com um cinismo lacônico e sem precedentes.

Se o futebol a estória nos mostrou que suas alegrias nos ludibriavam de nossas realidades maiores, que sua tristeza e vergonha nos aproxime destas, não servindo mais de plataforma eleitoral ao arrepio do melhor discernimento da realidade.

Política e futebol nunca representaram com tanta fidedignidade o que é o nosso país em suas verdades; política e futebol hoje, demostram com isonômica incompetência nosso retrato sem filtros ou photoshop que um dia foram capazes de misturados nos desviar de nossos verdadeiros focos putrefatos e carcomidos no interesse privatista de poucos às custas dos interesses públicos de toda uma nação.

As vitórias no futebol sempre nos embebedaram, que a derrota nos retire da hibernação!! Que a humilhação nos campos nos acorde para a humilhação em outros compos onde a vergonha é maior e deve se tornar mais eloquente...

PRODUÇÃO LITERÁRIA DO AUTOR A VENDA NA INTERNET
Controle de Constitucionalidade e Temáticas Afins - Capítulos Exclusivos Voltados ao Novo CPC - 2015
Propomos um distintivo estudo crítico de controle de constitucionalidade sob uma perspectiva neoconstitucionalista. O ano de 2014 foi pródigo em demonstrar um Supremo Tribunal Federal menos "passivista" e mais "ativista", participando verdadeiramente como uma das funções de poder do Estado de forma a atender aos anseios sociais e ao poder normativo da Constituição, na maior parte das vezes nos termos da competência delegada.
Buscamos ir além do que a tradição dos manuais nos oportuniza, trazendo para o debate, em capítulos sistematizados, as questões materiais e processuais mais controversas que a "Corte Constitucional" tem se imiscuído e que o Direito Constitucional tende a emprestar valor.
Para robustecer o conhecimento do leitor, grande parte dos institutos foi debatido a partir de subsídios históricos e do direito comparado, promovendo assim cognições capazes de fundamentar posições sofisticadas de compreensão.
Abdicamos em parte da tradicional linha positivista para evoluirmos na hermenêutica jurídica com as perspectivas mais antenadas do pensamento neoconstitucionalista, que passa a valorizar a interpretação das normas e transmuda o Estado-Juiz "boca da lei" em protagonista efetivador da vontade constitucional a partir de decisões que agora mensuram seus consequenciais efeitos.
Uma obra ousada, que buscará agregar ao leitor os conhecimentos mais refinados capazes qualificar as diferenças e formar pensadores do direito que potencializem suas expertises para além da subsunção do fato à norma.
Desejamos assim uma excelente incursão à nobreza que representa o estudo do controle de constitucionalidade.

Autor: Leonardo Sarmento
Ano: 2015
ISBN: 9788584402465
A judicialização da política e o Estado Democrático de Direito
"A Judicialização da Política e o Estado democrático de Direito".

Livro de 297 páginas apresenta e 71 artigos e crônicas publicados no período mais conturbado de nossa hitória democrática. Além de uma dezena de textos aprofundados sobre o "mensalão", analiza-se com profundidade as PECs de maior relevo e as questões mais tormentosas do período mencionado. Uma obra para se ler, reler e jamias esquecer, tratada com fundamentos jurídicos, mas sem se descurar da visão política intríseca de cada temática.

Autor: Leonardo Sarmento

Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: SARMENTO, Leonardo. Política e Futebol, uma mistura que enfim pode dar certo!. Conteúdo Jurídico, Brasília-DF: 22 jul. 2014. Disponível em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?colunas&colunista=46446_Leonardo_Sarmento&ver=1899>. Acesso em: 22 maio 2019.

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