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Terça, 21 de Janeiro de 2014 07h30
DENIS CARAMIGO VENTURA: Advogado; Consultor jurídico; Vice-Presidente da Comissão de Direito Penal e Direito Processual Penal da OAB/SP-Subseção Lapa; Membro da Comissão de Prerrogativas da OAB/SP-Subseção Lapa; Pós-graduando em Direito Penal e Direito Processual Penal; Pós-graduando em Direito Civil e Direito Processual Civil; Autor de diversos artigos jurídicos publicados em sites, revistas e jornais especializados; Colunista e orientador jurídico do projeto Prodigs - Ação Pró-dignidade sexual; Palestrante.



"Rollerboys": do nada pra lugar nenhum

Como o assunto do momento é o famoso “rolezinho”, resolvi escrever algo breve sobre o tema.

Primeiramente, em conversa com um amiga no twitter, onde , esta questionava quem são essas pessoas que deixam de, por exemplo, estudar e vão “passear” no shopping, me veio à cabeça a palavra “rollerboys”.

Não sei qual o sentido etimológico da palavra (se é que ele existe em algum idioma), porém, ficou claro em minha mente, e visão, que essas pessoas, na sua esmagadora maioria, são pessoas jovens. Adolescentes.

Muito se fala nesses “passeios” em direitos garantidos, liberdade de associação, liberdade de ir e vir, racismo e outras coisas mais.

Diante disso me veio a cabeça a seguinte indagação: Será que a matéria Educação Moral e Cívica voltou a ser incluída nas escolas estaduais e municipais?

Não há outra resposta senão a positiva, pois com tanta demonstração de patriotismo (cantando o hino SOMENTE até a primeira parte do “pátria amada Brasil”), nacionalismo e conhecimento da Lei suprema de nosso país, é nítida a “volta às aulas” da matéria citada.

Faço questão de ressaltar, também, que em nenhum momento vi nas reportagens os “rollerboys” citarem as OBRIGAÇÕES que eles possuem, constitucionalmente garantidas.

Não citam porque não possuem conhecimento, estão ali por estar. Sabe aquele lance que você chega mais cedo no banco, quando ainda está fechado, se depara com aquela fila enorme e entra nela supondo que seja ali que você deve estar e quando percebe está na fila do “Bom Prato” às 09:45 hs da manhã? É a mesma coisa.

Você está tentando fazer algo, mas no lugar errado e com pessoas distintas daquelas que deveria estar. E o tempo perdido já foi, não volta mais.

Quantos adolescentes que ali estão, no meio daquela “Nau dos insensatos” – Sebastian Brant - sabem o que estão fazendo? Para que estão ali? Para onde aquilo vai levar? E no que aquilo ali vai dar? Certamente somente alguns poucos adultos, irresponsáveis, que participam do “rolezinho”, saberão dar alguma resposta. Se vai ser coerente, é uma outra história. Não quero nem entrar no âmbito jurídico da coisa, pois deixaria de ser breve o que aqui exponho.

Manifestação se faz com inteligência, propósito e disciplina. O verdadeiro ato de manifestar-se não se relaciona com baderna, anarquia ou cometimento de crimes.

Infelizmente, é este o cenário que estamos vendo nas recentes “manifestações” em nosso país.

Manifestações com mascarados, furtos, danos, incêndios não são manifestações operadas por manifestantes e sim por grupos paramilitares, associações criminosas...bandidos!

Voltando aos “rollerboys”, a realidade que esses adolescentes vivem está longe de ser a que eles almejam naquele momento de insurreição social sem causa. É a alienação de cima para baixo que ganha espaço na mídia e que ajuda, ainda mais, a alimentar esse tipo de coisa.

É a juventude hitlerista do século XXI. Treinados subversivamente com a finalidade de justamente não ter finalidade nenhuma. Ou seja, ir no nada pra lugar nenhum. Eternas marionetes do sistema.

Vi vários depoimentos de adolescentes em matérias recentes em jornais, televisão, internet de que os “rolezinhos” servem para paquerar, conhecer “as mina” e quando a coisa desenvolve, até rola “uns beijo”.

Confesso que nunca me imaginei “arrumando esquema” (nas palavras dos “rollerboys”) com 3 mil pessoas em forma de “movimento”. Moderno demais pra minha cabeça.

O tão “nobre movimento” conta, ainda, com as “rollergirls” em menor número, onde, o anseio constitucional se limita a conhecer os líderes do “movimento” que tem milhares de seguidores no facebook.

O único “fim” que eu consigo enxergar a que esse “rolezinho” se destina, é o fim da picada!”.



Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: VENTURA, Denis Caramigo. "Rollerboys": do nada pra lugar nenhum. Conteúdo Jurídico, Brasília-DF: 21 jan. 2014. Disponível em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?colunas&colunista=48063_Denis_Ventura&ver=1748>. Acesso em: 23 fev. 2017.

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