Colunistas
Segunda, 23 de Janeiro de 2017 04h30
CARLOS EDUARDO RIOS DO AMARAL: Defensor Público do Estado do Espírito Santo.



A incultura que mata

O que nossas crianças e adolescentes, nos dias de hoje, ouvem no rádio e assistem na televisão? O que esses pequenos assistem nos vídeos compartilhados na internet e nas redes sociais? Quem são os ídolos dessa garotada? E como são os bailes e as baladas dos jovens dos dias de hoje?

A resposta a estas poucas indagações é o suficiente para descobrirmos em que tipo de País vivemos e desejamos viver. Afinal, cultura é tudo. É a cultura de um povo que embala e determina os sentimentos e desejos de uma Nação. O desenvolvimento de um País é ditado precipuamente pela sua cultura geral.

Hoje, nossos jovens ouvem qualquer coisa barulhenta e insuportável, que proponha sexo sem limites – inclusive de idade – e sem contornos morais. Claro, a presença da cocaína e outras drogas, assim como o porte ilegal de armas de fogo, nas letras das músicas as tornam ainda mais prestigiadas entre os jovens.

Os bailes dos dias de hoje são de provocar inveja em Sodoma e Gomorra. Por muito menos, essas cidades foram riscadas do mapa. Orgias, venda e consumo de todos os tipos de drogas, ostentação e comercialização clandestina de armas de fogo de grosso calibre, meninas alcoolizadas dançando nuas, coreografias de socos, chutes e pontapés etc, tudo é encontrado nessas baladas sombrias.

Como resultado dessa vida desregrada, muitos desses jovens irão ter várias passagens pelas Varas da Infância e da Juventude, como acusados confessos da prática de diversos crimes hediondos, do tráfico de drogas, passando pelo porte ilegal de armas de fogo, até homicídios. Muitos adolescentes não chegarão à maioridade, morrerão fuzilados em troca de tiros com seus rivais – às vezes são mortos pelos próprios “amigos” – . Sem se despedir de suas viúvas de doze, catorze anos idade, já cheias de filhos e viciadas. Nesses arranjos de família, sogra vira mãe de fato. E o ciclo se repetirá...

Aí, fica outra indagação. O que o Poder Público vem fazendo para minimizar essa cultura maldita da morte entre nossos jovens? Porque sob o manto hipócrita e mentiroso da liberdade de manifestação do pensamento é tolerada essa arte macabra, que só venera a ostentação, a luxúria, a cocaína e as armas de fogo?

No Brasil, a passos largos, estamos voltando para a idade medieval, multiplicam-se poderes paramilitares nas comunidades, com seus próprios códigos orais e juízes nomeados a dedo. Quem ainda acredita na piada da República Federal e no Estado de Direito é refém dentro de sua casa. Assiste sem forças e indefeso o golpe de estado que está sendo preparado por essa cultura da morte, patrocinada pelas máfias do tráfico de drogas e das armas de fogo.


Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: AMARAL, Carlos Eduardo Rios do. A incultura que mata. Conteúdo Jurídico, Brasília-DF: 23 jan. 2017. Disponível em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?colunas&colunista=60668_&ver=2614>. Acesso em: 27 mar. 2017.

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