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Quarta, 16 de Agosto de 2017 04h
LUIZ FLÁVIO GOMES: é professor e jurista, Doutor em Direito pela Universidade Complutense de Madri e Mestre em Direito Penal pela USP. Exerce o cargo de Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Atuou nas funções de Delegado, Promotor de Justiça, Juiz de Direito e Advogado. Atualmente, dedica-se a ministrar palestras e aulas e a escrever livros e artigos sobre temas relevantes e atuais do cotidiano.



Distritão e fundão: os parasitas sugam a presa até à morte

A primeira tentativa de construção do Brasil durou 322 anos (1500-1822). Morreu com a queda e o parasitismo do império ibérico, que virou pó (nos séculos XVII e XVIII). A segunda iniciativa frustrada de construção do Brasil (1882-2017) está chegando ao seu fim (o ciclo está acabando).

Algo novo imperiosamente vai surgir (o Brasil 3.0). Com diferentes lideranças, distintas das cacicagens podres e perversas do PT, PMDB, PSDB e seus comparsas, nosso país precisa ser reconstruído.

A reforma política em discussão constitui mais um sinal aberrante da decrepitude do sistema parasitário que nos governa. As degeneradas elites dirigentes querem que o povo pague a reeleição de alguns parasitas do poder (investigados pela Lava Jato) para que eles continuem roubando o povo, sob o amparo do foro privilegiado e da impunidade. Isso é um disparate medonho.

Há três espécies de parasitismo humano (ver Manoel Bomfim): o predador (parasitismo pela devastação das pessoas, da terra, da água, das florestas), o social (enriquecimento com a força de trabalho mal remunerado) e o estatal (suga-se para o bolso particular o dinheiro público – do Estado – que é de todos). Todo parasitismo humano é tirania.

Nossas degeneradas elites dirigentes sempre governaram o Brasil dessa maneira (seja na era colonial, 1500-1822, seja na era neocolonial, 1822-2017). Se uma nova geração de dirigentes éticos não assumir o País, todos sofreremos (ou morreremos) nas mãos dessa tirania parasitária.

A reforma política em andamento combina o distritão (eleição dos mais votados para todos os cargos, incluindo os de deputado e vereador – isso só existe no Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Ilhas Pitcairn) com o fundão (financiamento da campanha eleitoral com dinheiro público – R$ 3,6 bilhões).

O fundo partidário já destina para isso quase R$ 1 bilhão. A chamada propaganda “gratuita” nos leva mais uns R$ 3 bilhões. Total: quase R$ 8 bilhões (que poderiam melhorar em muito os serviços públicos para a população).

Pela apatia revelada, parece que o povo está topando pagar essa monstruosa conta sem contestar. Neste momento de absoluto desencanto com o Brasil, docilidade maior com o poder corrupto é difícil encontrar. Esses corruptos não merecem benevolência nem indulgência. Voto faxina neles, em 2018, renovando-se amplamente o Congresso Nacional.


Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: GOMES, Luiz Flávio. Distritão e fundão: os parasitas sugam a presa até à morte. Conteúdo Jurídico, Brasília-DF: 16 ago. 2017. Disponível em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?colunas&colunista=4840_&ver=2722>. Acesso em: 18 nov. 2017.

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