Colunistas
Terça, 06 de Maio de 2014 05h
WILLIAM DOUGLAS: Juiz Federal, Titular da 4ª Vara Federal de Niterói - Rio de Janeiro; Professor Universitário; Mestre em Direito, pela Universidade Gama Filho - UGF; Pós-graduado em Políticas Públicas e Governo - EPPG/UFRJ; Bacharel em Direito, pela Universidade Federal Fluminense - UFF; Conferencista da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro - EMERJ; Professor Honoris Causa da ESA - Escola Superior de Advocacia - OAB/RJ; Professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas - EPGE/FGV; Membro das Bancas Examinadoras de Direito Penal dos V, VI, VII e VIII Concursos Públicos para Delegado de Polícia/RJ, sendo Presidente em algumas delas; Conferencista em simpósios e seminários; Autor de vários livros. Site: www.williamdouglas.com.br



Rachel Sheherazade e a Liberdade de Imprensa

Rachel Sheherazade. Pronto, falei o nome dela, e você, leitor, já a ama ou detesta. E quer saber se eu a apoio ou deploro, se quero que ela fale, ou que se cale. Porém, meu ponto aqui é anterior ao debate sobre os comentários que ela fez a respeito dos chamados "justiceiros" do Rio de Janeiro, que, indignados por causa da insegurança no seu bairro, prenderam um rapaz, apontado como assaltante, em um poste. Um passo atrás, leitor! Há um debate anterior a este.

Em um primeiro momento, não preciso saber se você gosta ou não da Rachel, ou se concorda com ela. Até prefiro não saber, pois não é este o objeto dessa conversa. Meu ponto é que existam conversas.

Jornalistas são pessoas que, além de bem informadas, informam. Eu quero viver em um país onde eles possam fazer seu trabalho. Quero ouvir o que eles contam e pensam. Isso é um direito deles, expressar opinião, e um outro, meu, de ouvi-las. Nem sempre concordarei com o que o jornalista diz, mas uma democracia não se faz de opinião única. Posição única tem nomes: ditadura, tirania, arbítrio. Até mesmo se devem apenas informar, ou se podem ou devem opinar, é tema com mais de uma opinião, e espero que cada um defenda aquela na qual acredita.

Concorde ou discorde de Rachel, indago se concordamos com o princípio de que devemos garantir a todos o direito de pensar e de expressar seu pensamento, mesmo quando diferentes dos nossos. Saudades de Voltaire, que disse: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo." No Brasil, há quem queira que Rachel seja processada, amordaçada, até estuprada alguém já propôs (vejam onde chegamos, caro leitor!). Se não concorda com as liberdades de imprensa e de pensamento, por favor, vá tentar mudar a Constituição, mas não tente calar nem Rachel, nem gays, nem pastores, nem políticos ou jornalistas que pensam diferente de você.

O caso de Rachel me faz lembrar sua quase “xará” Sherazade, da Pérsia. Lá, um rei – depois de ter sido traído pela esposa – decidiu casar com uma nova mulher a cada dia, matando a sua noiva pela manhã. Matar a fonte do problema é uma tendência autoritária antiga, perceba-se. Pois bem, Sherazade, que se ofereceu como nubente, começou a contar uma história, mas não o seu final. Então, para ouvir seu desfecho, Shariar, o rei, não a matou pela manhã. E contar histórias salvou Sherazade e mais centenas de outras moças. O contar histórias, e conhecer a história, salva pessoas e países, anote-se.

A estratégia de Sherazade para evitar aquelas mortes deu certo. Daí, surge a obra Mil e Uma Noites. Ali, quem contava as histórias ficava viva, pois o rei queria ouvir histórias. Lamento pela nossa She(he)razade, pois aqui querem matá-la para que não conte suas histórias. Triste país, onde as pessoas morrem por falar, ao invés de serem deixadas vivas para fazê-lo. As tentativas para calar Rachel, ou qualquer outro jornalista, são sentenças de morte. Não física, mas civil, profissional, social. Ainda existem pessoas que, quando alguém não compartilha de seus desejos ou pensamentos, preferem que o outro seja morto. Ou calado, o que é um tipo de morte também.

Além desse pesar, viver em um país onde a opinião divergente é atacada virulentamente, registro uma outra perplexidade. Conta-se, com menos garbo, que não nas fábulas da Pérsia, mas aqui no nosso país mesmo, um homem chegou em casa de surpresa e encontrou sua mulher no sofá, tendo sexo com outro. Sua providência foi simples e cabal: no dia seguinte, tirou o sofá da casa. Em relação ao assunto da polêmica, parece que muitos preferem tirar a Rachel, que fala sobre o que parte das pessoas pensa, do que enfrentar de verdade o problema da violência, da insegurança, do racismo e da injustiça social nesse país.

Tirem o sofá, matem a She(he)razade que fala, mantenham a opinião única usando a mordaça... e voltaremos aos tempos em que um rei, Shariar ou qualquer outro, tem o direito de matar quem vier a desagradá-lo.

Ocorre que fazer-se de surdo, ou mesmo amordaçar quem discorda, ou reclama, é prática autofágica: silenciar sem resolver apenas adia o problema, assim como o torna mais grave. Precisamos deixar as pessoas, em especial os jornalistas, expressarem o que pensam. Podemos discordar, sim, mas não proibir a fala.

Até gostaria de dar minha opinião sobre a polêmica, mas isto nos desviaria do ponto mais importante: garantir que existam opiniões divergentes, e as polêmicas, em esperada aplicação da Constituição da República. Nela, assegura-se a liberdade de pensamento (art. 5º, IV), expressão (5º, IX), acesso à informação (5º, XIV), liberdade de informação jornalística (220, § 1º) e vedação de censura de natureza política ou ideológica (220, § 2º).

Espero que, concordando ou discordando da jornalista Rachel, o país aprenda a ouvir e a respeitar quem pensa diferente. Parafraseando as palavras de Jesus em Mateus 5. 43-48, “Se deixarmos falar apenas aqueles que dizem o que nós mesmos pensamos... não fazem os ditadores também o mesmo?”


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Guia de Aprovação em Provas e Concursos
O novo "Guia de Aprovação em Concursos", apresenta o melhor conteúdo do mercado sobre técnicas e dicas para ser aprovado. Esta obra auxilia candidatos a cargos públicos por meio de técnicas de otimização de estudo, remontando os esquemas de desenvolvimento lógico e interativo, porém de uma maneira mais ágil e veloz. Após sua leitura, o estudante será conhecedor de técnicas de cunho prático e psicológico, possibilitando a ele uma maior velocidade e capacidade de concentração, além de fornecer artifícios de automotivação, para que não se desista no caminho rumo à aprovação.


Autor: William Douglas
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Autor: William Douglas
Os Dez Mandamentos para uma Vida Melhor
Uma expedição que mostra os aspectos positivos dos dez mandamentos. Os frutos desta viagem serão definitivos em sua vida! Em Os dez mandamentos para uma vida melhor, William Douglas apresenta uma nova visão sobre os dez mandamentos, que ficou escondida pelas religiões tradicionais. Quer você seja judeu, cristão, muçulmano ou ateu, vai encontrar neste livro a sua maneira ideal de seguir as dez leis enviadas por Deus. Para William Douglas, os dez mandamentos não são obrigações nem foram feitos para dificultar o seu dia-a-dia, muito menos para julgá-lo. Na verdade, eles foram feitos para sua vida ser mais próspera e abundante. São dicas e segredos que podem mudar sua vida. E lembre-se: os dez mandamentos existem para lhe proporcionar uma vida mais feliz.

Autor: William Douglas
Como Passar em Provas e Concursos - 20ª Ed. 2007
"Tudo o que você precisa saber sobre como passar em provas e concursos e nunca teve a quem perguntar, qualquer que tenha sido o grau de dificuldade ou a relevância do motivo, está revelado nesta obra com olímpica dimensão, de forma clara, precisa, didática e, sobremaneira, estimulante. O trabalho, de indispensável leitura e absorção do texto por parte daqueles que pretendem e dos que já se empregam na ingente tarefa de preparação para os concursos públicos, dos mais variados matizes, qualquer que seja o nível pretendido, é um generoso e atraente convite ao sucesso." - Humberto Peña de Moraes.


Autor: William Douglas
Ano: 2007

A Última Carta do Tenente
Em agosto de 2000, um acidente com o submarino russo Kursk fez com que marinheiros ficassem presos sem que houvesse tempo para salva-los. Quando finalmente os corpos foram resgatados, no bolso do uniforme de um deles, foi encontrada uma mensagem para sua mulher, escrita nas poucas horas que lhe restava


Autor: William Douglas
Criando Campeões - Uma Receita Infalível para Pais e Professores Desenvolverem Vencedores
Vivemos em um mundo competitivo onde apenas os melhores se sobressaem, não só nos esportes, mas em todas as áreas da vida. Por isso, todos os pais e professores querem que seu filho ou seu aluno seja um verdadeiro campeão na vida e nos esportes. Para transformar esse sonho em realidade, os três autores de "Criando campeões", William Douglas, juiz federal e um exemplo de sucesso em preparação de concursos, Diogo Hypolito, um atleta obstinado que não mede esforços para conquistar seus objetivos, e Renato Araujo, técnico de ginástica olímpica consagrado e ganhador de diversos prêmios, se uniram em equipe e escreveram este livro. Criando campeões deve ser lido por pais e professores que querem ver seus filhos e alunos entre os melhores, em todas as competições, esportivas ou não, enfrentadas na vida.


Autor: William Douglas
Controle de Constitucionalidade - 3ª Ed. 2004
Esta obra pretende, de forma objetiva e clara, propiciar ao operador jurídico uma visão segura da doutrina e, sobretudo, da ótica do Supremo Tribunal Federal sobre o controle de constitucionalidade, transformando-se em um instrumento desmistificador da complexidade do tema.

Autor: William Douglas
Ano: 2004
Medicina Legal - À Luz do Direito Penal e Processo Penal - 7ª Ed. 2006
Esta obra destaca-se por apresentar, simultaneamente, um conteúdo teórico e prático, além de trazer informações sobre teoria resumida, jurisprudência e modelos. A parte teórica e os modelos são de grande utilidade para profissionais que necessitam conhecer e dominar, de forma rápida, as noções essenciais da matéria. A obra traz anexo de grande relevância: comentários sobre a investigação policial na nova Lei Antidrogas - Lei nº 11.343/06.
Outro ponto a ser destacado é que essa obra foi elaborada por um Juiz Federal, um Promotor de Justiça, um Delegado de Polícia, um Capitão da Polícia Militar e três Médicos Peritos.
Dada a relevância do tema e a sua atualidade, a obra destina-se ao curso de Direito; advocacia criminal; Delegados de Polícia e atividades policial e de investigação.


Autor: William Douglas
Ano: 200
Uma Carta Viva de Direitos


Autor: William Douglas

A Maratona da Vida
Conheça o relato de um juiz federal obeso, hipertenso e sedentário que tinha a vida profissional resolvida mas cuja saúde ia de mal a pior. Ao resolver correr uma maratona, o autor, primeiro colocado em vários concursos públicos, precisou de um processo de mudança. Aproveitando sua experiência pessoal, ele ensina a lidar com sentimentos, dúvidas e problemas que acometem qualquer pessoa que queira realizar alguma coisa. Assim, mostra como é possível vencer obstáculos.


Autor: William Douglas
Ano: 2006
Carta aos Concursandos
Carta aos Concursandos reúne textos cuja finalidade é estimular concursandos a não desistirem de seus projetos.
Baseando-se numa carta escrita a um aluno que desistira do sonho de tornar-se Delegado de Polícia, Francisco Dirceu Barros elaborou inúmeros textos de caráter motivacional e técnico.
Para ajudar nesta tarefa, uniu-se a William Douglas, autor do best-seller Como Passar em Provas e Concursos.
Devido a vasta experiência de ambos em concursos públicos, esta obra pode ser usada tanto como um manual de comportamentos básicos para conquistar o cargo almejado quanto como uma reunião de conselhos dados a um amigo, quando este necessita de suporte para não desistir de seus sonhos.


Autor: William Douglas
Ano: 2005
Como Usar o Cérebro para Passar em Provas e Concursos
Este livro se destina àqueles que buscam uma mudança efetiva em suas estratégias de sucesso para serem aprovados nas provas e concursos, usando a Programação Neurolingüística. Unindo a experiência do guru dos concursos, William Douglas, com os conhecimentos sobre PNL de Carmem Zara, o livro ensina, em uma linguagem simples e clara, as técnicas mais apropriadas e rápidas para os concursandos atingirem seus objetivos. O leitor vai encontrar neste livro a chave de sua preparação mental para passar em provas e concursos.

Autor: William Douglas
Ano: 2008
Como Passar em Provas e Concursos - Edição Comemorativa
Este best-seller é referência básica para todos que almejam ser aprovados em concurso público. Por meio de técnicas e esquemas de desenvolvimento lógico e interativo, o leitor se defrontará com a possibilidade de transformar radicalmente o modo com que conduz seu aprendizado. As técnicas aqui apresentadas, quando seguidas corretamente pelo leitor, otimizam o estudo e a retenção do conteúdo a ser assimilado.
Esta edição comemorativa - mais de 150 mil exemplares vendidos -, totalmente revista, traz, além do DVD com uma palestra do autor, dicas atualizadas sobre os principais temas abordados, ajudando o leitor a usar de forma ainda melhor as técnicas de estudo e de aprendizado apresentadas pelo guru dos concursos.


Autor: William Douglas
Ano: 2008
ISBN: 9788535231823

Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: DOUGLAS, William. Rachel Sheherazade e a Liberdade de Imprensa. Conteúdo Jurídico, Brasília-DF: 06 maio 2014. Disponível em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?colunas&colunista=955_William_Douglas&ver=1836>. Acesso em: 18 ago. 2018.

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